terça-feira, 17 de abril de 2012

Fogueira do Amor


Cada beijo regressa ao mesmo desejo,
Também ele escrevendo-se no teu sorriso
E em mim com o estilete da paixão.

Voltamos ao princípio do que fomos,
Ao gesto que fizemos, quando ateámos
A própria fogueira do amor.

E ali ficámos quando a noite veio,
Como a primeira hora de outro dia,
Uma hora do sonho e da verdade.

Alguém nos desenhou com esse desejo,
Novos braços de um vento desregrado,
Sabendo ser um e sermos nós.

Por isso, descobri este querer,
Esquecendo a flor da mágoa, da tristeza
E a sombra já esbatida de outras horas.

Mas não fiquei preso nesse tempo,
Castelos pelo musgo corroídos,
Cercados pelos espectros da glória.

Fui portas abertas ao que vinha,
Colhendo as asas do que mais voasse,
Sementes do incerto em movimento.

Tatuagem do tempo em nós dois,
Palavra sempre escrita no futuro,
Guardemos o perfume desse dia.

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